Foram três dias intensos de muitas palestras, visitas aos stands, conversas e bons insights do que esperar para o futuro do varejo. Quais são as novas tecnologias já disponíveis para serem aplicadas, as tendências de comportamento, novas experiências e a oportunidade de olhar para a Ásia (principalmente a China) como local de inspiração de novos ecossistemas de negócios e experiências de compra.

Olhando para novas tecnologias, vemos a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL cada vez mais onipresente no varejo: seja no back office fazendo previsões de demanda mais complexas, levando em consideração diversas variáveis (incluindo clima, eventos locais etc.), seja na análise de precificação para determinar o ponto de preço correto. Vinculado à inteligência artificial, já podemos ver o reconhecimento facial sendo aplicado em varejo para identificar quem está comprando e o que oferecer para esse cliente, baseado em interações anteriores e seu perfil de compra. Mas CALMA: tudo precisa ser autorizado pelo shopper, porque sabemos que a lei de proteção de dados (GDPR) já é uma realidade e temos que respeitá-la. As aplicações de inteligência artificial estão só começando, e o objetivo é liberar a equipe do varejo de trabalhos mais burocráticos para fazer o que as máquinas ainda não conseguem: entender e investir tempo em relacionamento com o shopper, para que ele tenha experiências cada vez mais relevantes com nossa marca. Em relação a materiais de pontos de venda, vemos o LED cada vez mais acessível para gôndolas e outras aplicações – não só evoluímos de um material impresso (muitas vezes pouco sustentável), como também agregamos interatividade à gôndola ao vincular sensores que identificam com qual produto a pessoa está interagindo e trazer um conteúdo específico para este momento.

Ao buscar inspiração na Ásia – principalmente China – a ideia é tentarmos olhar o futuro através do que está acontecendo hoje no outro lado do mundo. Vemos a evolução do seu modelo de negócios – de cadeia produtiva para ecossistemas de negócio – muito mais ágil e flexível a mudanças de contexto. E o principal insight desses novos modelos de negócio, é vermos o PHYGITAL em prática. Palavrinha da moda, eu sei… já até um pouco batida. Mas sabemos da importância e dificuldade de conseguirmos fazer implementações em que a pessoa interaja com diferentes pontos de contato e ainda tenha uma experiência única, consistente e relevante. Na China, o ecossistema engloba inclusive lojas no formato “Mom-and-Pop” – pequenos varejos familiares – por meios de pagamento digitais. Mesmo em pequenos varejos chineses, é possível ter uma análise do canal e do perfil das pessoas que compram ali. Aqui no Brasil existe aos montes este tipo de varejo e normalmente é muito difícil avaliar e acompanhar o perfil do comprador.

Mas, no final do dia, tudo se resume em uma única palavra: PESSOAS. Quanto mais avançamos, mais voltamos a necessidade de entender com quem estamos falando, quais são suas dores, suas necessidades e como nossa marca pode ser relevante para essa pessoa em seu momento de vida. Não é qualquer TECNOLOGIA, é a tecnologia que transforma a experiência que a pessoa tem com a marca, é a tecnologia que traz relevância, que facilita processos, que ajuda nas escolhas nada fáceis de serem feitas pelas inúmeras opções que temos para escolher. Não é qualquer PHYGITAL, são as conexões dos pontos corretos, com conteúdo que encaixa com o perfil da pessoa, que não é invasivo e que constrói marcas com mais proximidade e coerência. Em um momento de digitalização de tudo – da parte de compra, nem se fala – vale entender de pessoas para proporcionar as melhores experiências e trazer para o varejo físico um bom motivo para sair de casa e ir até lá, em vez de comprar praticamente qualquer coisa na palma de nossas mãos. 

por: Juliana Barreto | Head de Shopper da Tátil