O ano era 1987. Eu e meu grande amigo e parceiro de projeto na PUC, Fausto Arcos, começávamos a desenhar os primeiros produtos feitos em papelão ondulado reciclado, inspirados nos princípios de Ecodesign e biomimética que aprendemos em nosso projeto sobre a “Arte de Embalar na Natureza”. Desenhamos uma linha de pastas, blocos, canetas e objetos com o uso mínimo de cola, e formas que respeitavam os “desejos”dos materiais que até então eram usados apenas para embalagens de transporte, mas que tinham um grande impacto expressivo. Nossos primeiros clientes eram nossos próprios amigos da PUC e, na sequência, agências de publicidade que adoravam nossa capacidade de criar embalagens especiais para lançamentos de produtos, press kits e presentes corporativos. A vantagem era que, além de criarmos soluções exclusivas, prometíamos a entrega completa com direito à produção de pequenas tiragens. Vendíamos a solução completa! Precisávamos de um nome que traduzisse nossa proposta de uma forma sintética e forte. Desde que entrei no curso de Comunicação Visual, me incomodava o porquê do apenas “visual”. Por que os outros sentidos tinham que ficar de fora? Gosto, sons, cheiros e texturas eram tão eficientes para comunicar quanto a visão.

Olhando para o papelão ondulado, o papel Kraft, percebemos que, acima de tudo, o que estávamos projetando era mais do que visual era tátil!

Pronto! Esse era o nome perfeito para a nossa “empresa”: Tátil! O nome ajudava a traduzir nosso desejo de ampliar a força expressiva do design para todos os sentidos. Queríamos colocar no mundo ideias multissensoriais!

Em 1989, Fausto resolve voltar para seu país de origem, o Equador, e meus atuais sócios, Gustavo Gelli e Patricia Pinheiro se lançaram nessa aventura! Tínhamos 20 e poucos anos, capacidades supercomplementares e nenhuma ideia de onde tudo isso iria dar!

30 anos depois, muita coisa mudou, as coisas deram muito mais certo do que podíamos imaginar, mas esse desejo original segue pulsando!

Hoje, quando assinamos: “Tátil, design de ideias que vão para o mundo”, queremos reforçar nossa conexão essencialmente com as ideias e sua potência de transformar o meio no qual ela existirá. Acreditamos que mais do que design gráfico, de produto, de serviços, ou ainda branding e inovação, o mundo evolui a partir de boas ideias. Nossas ideias surgem a partir da lente do DESIGN. Esse ferramental tem como principal vocação, fazer novas conexões. Costumo brincar com meus alunos que o bom designer é aquele que não conhece profundamente nada. E nem deve. Ele tem que conhecer quem conhece. Nosso trabalho é estabelecer novas conexões. Cruzar conhecimentos e saberes. Transformamos a realidade a partir dessa capacidade de canalizarmos os processos inovadores, resultado direto do encontro de competências e oportunidades. Desenhamos COM e não PARA. Nossa ideias surgem do encontro com nossos clientes e com os clientes deles. E elas só cumprem sua função quando têm a capacidade de gerar impacto, de provocar, de convidar, de abrir novas perspectivas sobre um produto, uma marca, um contexto.

Bebendo na nossa fonte original de 30 anos atrás, quando nos vimos desafiados a produzir nossas ideias para garantir que elas fossem para o mundo, hoje, em um cenário muito diferente, contando com muitos parceiros com todas as competências, continuamos mais comprometidos do que nunca com que nossas ideias continuem virando realidade, indo para o mundo, fazendo a diferença.

De um jeito, Tátil, útil e emocionante.